TV Digital no Brasil – Da película ao bit [3]

Proposta em 2002 no Brasil, após anos de estudo, a TV Digital parece carregar ainda alguns conflitos de natureza econômica, política e técnica. Vamos aos fatos.

HDTV x  Multiprogramação

De forma simples, esta discussão gira em torno do que se fazer com a banda de transmissão, já que no processo digital consegue-se transmitir um número muito maior de informações dentro do espectro destinado a cada emissora (6MHz).

Esta escolha ocorre, ou deveria, de acordo com o espectador e suas preferencias.  Neste sentido temos como exemplo o sistema americano (ATSC), que prioriza programas em alta definição (HDTV) pois segunda pesquisa qualitativa realizada com a população, esta é a principal demanda. Por outro lado na Europa se priorizou um sistema com multiprogramação, pois a eles interessava muito mais a maximização de conteúdos.

Esta questão vai além, há ainda o lado das emissoras. Gerar uma programação toda em Alta definição requer altos investimentos, assim como a multiprogramação. As emissoras entendem que cabe exclusivamente a elas decidir como aproveitar a banda (6Mhz destinada a cada canal de TV) uma vez que existe um contrato de concessão. Além disso, esta digitalização do sistema só existe graças aos investimentos da própria emissora. E aqui cabe a observação para a possível viabilidade econômico-financeira que cada emissora tem, tendo em vistas os planos de investimentos publicitários no país que bem conhecemos em sua desigualdade. Vale o pensamento de quem vai novamente se sobressair.

Há ainda uma analise de que o espectro é um bem público e, como tal, deve servir ao interesse coletivo. Nesta visão não haveria perdas contratuais e sim benefícios, uma vez que poderíamos disponibilizar de mais canais, oque gera mais conteúdo a população e incentiva o setor no país.

CANAL DE RETORNO | IN BAND

Uma possibilidade de utilização desta banda excedente seria o canal de retorno, ou in band como conhecido no meio. Este canal serviria para que o espectador enviasse dados (interação), como hoje se faz através de ligações, sms, etc.

No Brasil, a disparidade de penetração entre TV aberta e qualquer outro serviço de telecomunicações explica a criticidade da escolha a ser feita pelo SBTVD. A alternativa de se utilizar um meio externo ao sistema de TV é inconveniente também no aspecto de custo, ou seja, mesmo que o Estado financie o acesso a um serviço de telecomunicações complementar, para servir de canal de retorno (pagando, por exemplo, a assinatura mensal para determinados usuários), boa parte da população ainda ficará desassistida. Não é coincidência que o governo tenha dedicado uma das áreas de pesquisa exclusivamente a essa questão, inclusive para analisar a viabilidade de se desenvolver uma solução in band.

Por outro lado, qualquer das opções encarece o receptor a ser instalado na casa do usuário, que passa a ser também um transmissor. E pior: o incremento de custo é proporcional ao de banda. Quando se passa de um modem de linha fixa a 56kbps para outro, por exemplo, em MMDS, o custo triplica, agravando o problema já existente no que diz respeito a baratear a TV Digital.

No próximo post falo sobre alguns pontos importantes para que a TV Digital Brasileira se torne uma realidade.
Rodrigo Angelotti dos Santos

E aproveito para uma rápida enquete.

Qual seria sua escolha em relação ao tema?

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AM e FM juntas na mesma faixa de transmissão.

Venho agora trazer algumas informações e claro, minha opinião sobre o desligamento, ou em termos técnicos, o “switch off” do rádio AM o Brasil.

O que você, amante ou profissional da comunicação precisa saber é que o Ministério das Comunicações decretou que o que será feito ainda este ano é autorizar as rádios AM a se transformarem em rádios FM. Uma das pressões que existem de fazer o rádio digital aqui no Brasil é que a qualidade do rádio AM está caindo, principalmente nos grandes centros urbanos. Isso, claro, prejudica muito a audiência.

Segundo o ministro das comunicações, Paulo Bernardo, já foram feitos estudos que apontam viabilidade para a migração. “Com a digitalização da TV, nós temos os canais 5 e 6 (liberados), onde cabem muitas rádios”. Nós estamos fazendo uma solução que é importante, que é autorizar rádio AM para a faixa de FM. Isso vai ser assinado no dia 7 de Novembro.

Junto com toda essa transformação dentro do nosso dial, o que é importante deixar como informação é que onde hoje operam os canais de televisões analógicas (famosa faixa dos 700 MHz) será o canal do rádio AM. Criando assim, uma maior faixa de cobertura para o AM.

A partir de agora abro o meu questionamento sobre a inserção do AM na faixa do FM:

De um lado teremos uma boa parcela da audiência vinda do AM para FM, com isso maiores verbas publicitárias, diga-se de passagem, cada vez menores em nosso país. Teremos também um bom opcional para os jovens acompanharem mais o estilo do AM.

Outro fator importante e que já uma realidade, é as famosas rádios “AMezão”. Termo usado pelos radialistas, das emissoras com formato de AM mas que já estão no FM. Rádio como Band News FM e CBN já vem conquistando boa parcela da audiência no FM, com linguagem bem característica das emissoras de ondas médias.

Mas não vejo grandes benefícios vindos nessa migração. O rádio FM ficará congestionado e com isso, a audiência já existente no FM não aumentará nem reduzirá.

O que temos de concreto até o momento é que o Ministério das Comunicações e a ABERT estão discutindo a proposta de urgência, que será enviada ao Congresso Nacional para concretizar a autorização o mais rápido possível.

Na próxima postagem, falarei sobre como é feita a aferição da audiência no rádio e na televisão e como as novas plataformas digitais tem contribuindo para esta verificação.

Lucas Morgante

TV Digital no Brasil – Da película ao bit [2]

A TV analógica baseou-se no antigo cinema de 16mm. Entretanto, o cinema evoluiu e a resolução melhorou, aumentando assim seu campo de visão. A televisão não podia ficar para trás.

Atualmente há três padrões de TV digital terrestre em operação no mundo (há um quarto padrão, o DTMB, mas que é utilizado somente da China) : o padrão americano, Advanced Television Systems Committee (ATSC), o padrão europeu, Digital Video Broadcasting-Terrestrial (DVB-T) e o padrão japonês, Integrated Services of Digital Broadcasting-Terrestrial (ISDB-T).

Digital broadcast standards

O padrão europeu surgiu em 1993 por meio do consórcio DVB, que reuniu diversos grupos públicos e privados e teve como foco a oferta múltipla de programas para aparelhos de televisão digital com definição padrão (SDTV). O Reino Unido investiu maciçamente nessa nova tecnologia, principalmente por meio da BBC, e lançou o serviço de televisão digital em 1998, mesmo ano em que surgiu nos Estados Unidos.

A opção pela multiprogramação é explicada pelo fato de o espectro na Europa ser bastante congestionado, e a possibilidade de ter novos canais no sistema digital era uma necessidade e um ganho significativo (MOTA; TOME, 2005).

Com relação ao padrão de TV digital terrestre norte-americano, a Federal Communication Commission (FCC), agência reguladora do setor de comunicações, que abrange telecomunicações e radiodifusão, adotou o Advanced Television Systems Commitee (ATSC) nos Estados Unidos em 1996 e teve como foco a difusão da televisão de alta definição – HDTV.

Adotou-se no Brasil o padrão japonês, que foi criado em 1999 e desenhado com foco na transmissão para aparelhos portáteis e móveis, além da alta definição.

As transmissões terrestres de TV digital tiveram início no final de 1995 na Europa (Inglaterra), no final de 1998 nos Estados Unidos e em dezembro de 2003 no Japão.

O padrão japonês, por ter sido o último a ser desenvolvido, beneficiou-se de conhecimentos técnicos não disponíveis nos períodos nos quais os outros dois padrões foram desenvolvidos. Um exemplo disso é a codificação de vídeo para a qual todos os padrões empregam o MPEG-2. No entanto, no caso de transmissão para aparelhos móveis, o ISDB optou pelo H.264, também conhecido como MPEG-4 Part 10 ou MPEG-4 AVC (Advanced Video Codec). Esse padrão de compressão tem sido visto como o sucessor do MPEG-2, produzindo um aumento de duas a três vezes na taxa de compressão obtida pelo MPEG-2.

Rodrigo Angelotti dos Santos

Fonte:

Desafios Concorrenciais e Regulatórios na Implantação da TV Digital no Brasil.

Maria Cristina de Souza Leão Attayde; Brasília – DF

TV Digital no Brasil – Da película ao bit

Iniciando uma serie de postagens sobre a TV Digital no Brasil, peço licença para uma breve e necessária contextualização, para assim entendermos os possíveis rumos que esta tecnologia nos leva.

A questão da TV Digital (no caso do Brasil) é na verdade a transformação do Sistemas de Transmissão da Televisão, do analógico para o digital, uma vez que a grande maioria das etapas produtivas e dos sistemas internos das emissoras já funcionam a algum tempo com o digital, apenas não conseguiam o transmitir neste formato.

A PRIMEIRA TRANSMISSÃO (Analógica)

Em 1941 a Comissão Federal de Comunicações Norte Americana autorizou o funcionamento das primeiras estações de TV no país, utilizando claro, sistemas em Preto e Branco (Padrão M). No Brasil, a primeira emissora de TV foi inaugurada em 1950 na cidade de São Paulo, a já extinta TV Tupi de Assis Chateaubriand.  Como na época não havia qualquer tipo de produção de aparelhos e sistemas de televisão no Brasil toda a aparelhagem foi importada, trazendo na bagagem o padrão lá utilizado para a transmissão (Estados Unidos – Padrão M).

Apenas 13 anos depois (1954), os Estados Unidos já definia seu sistema de TV em cores. O NTSC (National Television System Committee) apresentava ao mundo, o mundo como ele era, colorido e “real”. Alguns problemas com a fidelidade das cores fizeram com que outros países (Europa) desenvolvessem outros Padrões. Na França surge o SECAM (Sequencial Couleur Avec Mémoire) e na Alemanha o PAL (Phase Alternation Line) .

Os 3 sistemas (NTSC, PAL, SECAM) acima citados são até hoje os mais utilizados em todo o mundo, quando nos referimos a Televisão Analógica.

PAL-NTSC-SECAM.svg

Com base nestes sistemas, começam a surgir em 1998 as primeiras Transmissões de TV Digital terrestre (propagação pelo ar). Neste momento surge ainda um quarto Padrão, o  Japonês ISDB-T (Integrated System Digital Broadcasting-Terrestrial).

Nas próximas postagens falarei um pouco sobre cada Padrão para TV Digital e porquê, possivelmente, o Brasil adotou o Padrão Japonês ISDB-T.

Rodrigo Angelotti dos Santos