O Rádio e a Audiência [3]

Fechando a série de postagens sobre a audiência no rádio, vamos falar agora sobre os serviços de streaming, passando pelo seu funcionamento e finalmente analisando o quão imprescindível esta tecnologia terá para o rádio no futuro.

FUNCIONAMENTO

O Streaming é um modo de difusão e de leitura de conteúdo, seja ele áudio ou vídeo, com um fluxo contínuo.

Para que estes conteúdos sejam distribuídos é necessário um canal (link), um ponto de transmissão (emissora) outro de recepção (ouvinte), onde tudo isso se conecta pela rede mundial de computadores.

Para que uma emissora possa disponibilizar a sua programação pelo streaming, ela precisa de softwares e uma conexão com a internet que possibilita a disponibilização deste conteúdo em servidores e que o ouvinte através de links ou aplicativos possa ter acesso. Claro, isso depende da demanda da banda de internet que o ouvinte vai ter.

Através do software da emissora para transmissão, é possível adicionar mais dados ou multiconteúdos como nome da música ou do programa, fotos ou textos de acordo com a necessidade do emissor. As informações saem da emissora e pela internet navegam até um servidor que distribuí estes dados e armazenam em IPs que são acessados pelo ouvinte.

Através desta bacana tecnologia, você aí do interior ou da capital pode ouvir a programação de uma rádio do Japão, com toda a qualidade que sai diretamente da emissora.

Esta foi apenas um breve resumo do seu funcionamento, pois a complexidade deste sistema  renderia uma série inteira de postagens, mas acredito que tenha dado pra dar uma clareada!

O STREAMING E O FUTURO.

Bom, agora que vimos o que é o streaming, vamos às inúmeras vantagens que esta tecnologia nos oferece e, em minha opinião, onde será o futuro do rádio.

Vivemos no tempo em que a conectividade está cada vez mais acessível e móvel. Com isso, os meios de comunicação conseguem atingir todos os públicos e com uma abrangência muito maior. No rádio não é diferente.

Um exemplo claro e que mede esta abrangência é quantas vezes você esteve no carro ou no ônibus e durante aquela sua música preferida ou uma informação importante que você ouvia, uma interferência chata lhe atrapalhou? Não foram uma ou duas não é? E isso não acontece só com você!

Bom, com a internet móvel em expansão em nosso país e  com uma maior adesão aos serviços de streaming que as emissoras podem usar, essas chateações se vão. Através de uma conexão 4G ou LTE (ambas em testes no Brasil) a fidelidade no envio dos dados e a recepção por parte dos aplicativos e sites é  bem maior e as interrupções na recepção destas informações são quase nulas.

Outro fator importante nas rádios online é a possibilidade de se ouvir diferentes rádios de todo o mundo. Com o congestionamento no dial e as impossibilidades distanciais é impossível ouvir uma rádio com alguns quilômetros de distância. Lembrando que isso depende da potência do transmissor da rádio.

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AUDIÊNCIA POR STREAMING.

Muito bem, agora vamos ao ponto chave da postagem.

É possível medir quantos dispositivos estão conectados à emissora, e o melhor, em tempo real.

Isso mesmo, com o streaming, a possibilidade das emissoras poderem saber se o público está gostando de um programa ou se um programa agrada mais que o outro, são possíveis. Os softwares de transmissão conseguem receber a quantidade de aparelhos (computadores, tablets, smartphones) que estão conectados aos links ou aplicativos de transmissão. A única preocupação que os institutos de pesquisa e emissoras precisarão, é identificar quem (faixa etária, sexo, preferências, classe social) ouve determinado programa e em qual faixa horária.

Agora pense na revolução que o rádio terá (ou já está) quando você puder ouvir sua emissora favorita no carro indo trabalhar sem interferências ou chiados? E o melhor, recebendo multiconteúdos como a letra da música, ou um mapa com o melhor trânsito para seguir ou até receitas e textos que você pode baixar em seu celular e ler depois? Em minha opinião este será o futuro do rádio, muito mais presente no seu dia, não mais apenas como um companheiro das donas de casa e motoristas ou sistema de som ambiente. Ele será muito mais útil em nossas atividades rotineiras e claro, sempre será nosso companheiro!

Abaixo,você encontra um aplicativo e um site que são bem legais para você ouvir aí no seu computador ou smartphone rádios de todo o mundo:
http://tunein.com/

http://www.radios.com.br/

TV Digital no Brasil – Da película ao bit [4]

Continuando a série de postagens sobre a TV Digital no Brasil, falo hoje um pouco sobre a relação Sociedade e Tecnologia.

As evoluções entre gerações nunca foram tão rápidas e significativas. A nova geração é tecnológica, digital e conectada. Se torna múltipla nas conexões e tem necessidade de interação/informação. E focando este público que tão logo será maioria na sociedade, a TV se reinventa, passa de emissora de conteúdo continuo e que se utiliza do esquema – emissor – mensagem – receptor onde quem assisti é mero espectador, e passa agora para uma geradora de múltiplos conteúdos, abre espaço para ouvir e interagir com o público e torna a telecomunicação a via de duas mãos com a possibilidade de retornar a informação.

Notamos nos últimos anos o crescimento astronômico do site de vídeos Youtube e isso explica muita coisa. Números apontam que a cada minuto são enviados ao site mais de 72 horas de vídeo. Hoje a necessidade da informação não tem hora marcada para começar como em uma grade de programação.  O Youtube, enquanto portador de vídeos por demanda, se mostrou eficiente nesta solução pois as pessoas não precisavam ficar acordadas até a madrugada para assistir determinada competição das olimpíadas de Pequim, ela simplesmente escolhia a hora, encontrava a prova que queria no site, e assistia, com as vantagens se pausar e pular partes menos interessantes na sua avaliação.

Começamos com isso entender que esta flexibilidade de programação adaptada para sua rotina se torna necessária, mas possuir também o tempo real como opção. Por exemplo, a pessoa pode assistir no outro dia o capítulo da novela que perdeu mas também assistir à um jogo da copa do mundo ao vivo. Não precisamos olhar longe para imaginar esta situação, basta olharmos para sistemas como o NetFlix.

O advento das novas tecnologias já está alterando a estrutura das emissoras de televisão. Vilches (2003) traz uma importante contribuição com seu livro A migração digital. O pesquisador espanhol nos mostra com muita propriedade qual será o novo papel da mídia, dos espectadores e usuários no novo negócio da comunicação. Neste novo contexto, a mídia passa a oferecer menos produtos e espetáculos e mais serviços. Para ele, em pouco tempo será difícil falar de bons ou maus programas, mas sim em utilidade e inutilidade. Outra estratégia apontada pelo autor é de que as novas ações de marketing dos conglomerados de comunicação (geralmente empresas de rádio, televisão, jornais e revistas) buscam criar serviços integrados convertendo-se em portais na internet onde o conteúdo produzido nas mídias tradicionais é oferecido em sua totalidade ou não, gratuito ou restrito a assinantes. O que já vem sendo realizado pela TV Globo, TV Record, SBT e Band.

Encontrei esta imagem na internet e deixo registrado que a questão vai muito além, mas serve para um comparativo superficial e prático, com tópicos que o Digital parece ser capaz de resolver.

Youtube x TV
Youtube x TV

Por

Rodrigo Angelotti dos Santos

Referências:

GOBBI, MC., and , KERBAUY, MTM., orgs. Televisão Digital: informação e conhecimento [online]. São Paulo: Editora UNESP; São Paulo: Cultura acadêmica, 2010. 482 p. ISBN 978-85-7983-101-0.