Série – TV Digital no Brasil | Episódio 06 – Multiprogramação

O episódio nº 6 da Série TV Digital no Brasil tem como tema uma das melhores vantagens oferecidas pela TV Digital (na minha opinião), mas que, infelizmente, está com seu funcionamento vetado!

Como previamente explicado no Episódio 04, a multiprogramação como aplicação na TV Digital consiste basicamente na capacidade de uma emissora enviar em sua faixa de canal, programações paralelas e simultâneas, uma espécie de sub-canal com conteúdos diferentes passando ao mesmo tempo.

Como funciona?

Vamos usar o caso do Brasil para explicar. No modelo de concessão aplicada no Brasil, ainda com o sistema analógico, ficou determinado que cada emissora teria uma determinada faixa do espectro (espaço) pelo qual o mesmo seria transmitido. No funcionamento pleno do modelo eram necessários 6 MHz para o envio analógico das informações (áudio, vídeo, closed captions). Pois bem, com o sistema digital o que se tem é um melhor aproveitamento desta faixa de 6MHz destinado as emissoras, onde agora utilizando um sistema Digital para compactação e transmissão das informações uma emissora pode, por exemplo, enviar (transmitir) um programa em Alta Resolução ou até 4 canais com definição padrão SD (resolução semelhante a que ocorre hoje na transmissão analógica). E é ai que a discussão começa!

Exemplo:
No caso da multiprogramação a Rede Globo poderia ao mesmo tempo transmitir uma capitulo de telenovela, uma partida de futebol e um telejornal. Tudo simultâneo, paralelo e atendendo diferentes públicos.

Porém:
Vamos analisar a situação da emissora tendo em vista o atual modelo de negócio. A emissora que hoje tem uma cota X de patrocínio para produzir e exibir uma programação teria basicamente, e no mínimo, o custo de sua produção multiplicado por 3, já que haveria a necessidade de se produzir conteúdo inédito para ambos os canais. A pergunta que fica é: A cota publicitária se multiplicaria por 3 considerando que o público que assiste televisão é o mesmo e agora está fragmentado entre os canais? Em uma rápida análise desta situação começamos a entender a preferência das emissoras comerciais pela utilização da Alta Definição de imagem e não da multiprogramação, uma vez que o HD traz um benefício direto ao público e a emissora.

O caso é que no Brasil está vetada a utilização da Multiprogramação. O exemplo citado acima pode ter gerado uma certa “pressão” das emissoras para que houvesse este veto, mas podemos também considerar aqui outras hipóteses:

– O Governo deve estabelecer antecipadamente uma forma correta para o uso desta multiprogramação, uma vez que o que temos visto hoje na TV Aberta é o arrendamento de grandes horários da programação para terceiros (igrejas, televendas, etc.). Isso não é bom para o público pois a ideia inicial deste recurso é elevar as opções de conteúdo, inclusive educativos, na TV aberta através de possíveis segmentações.

– Abre-se uma grande brecha para contestações do tipo: Se não há mais espectro para concessão de novas emissoras então por que não aproveitar a multiprogramação e liberar para que novos canais possam aproveitar este espaço vago?

Como disse no início do post, na minha avaliação a multiprogramação é uma das vantagens mais incríveis da TV Digital justamente pelo fato de poder expandir o conteúdo televisivo que chega há 97% da população brasileira. Acredito que isso poderia ser utilizado para a expansão da cultura, do conhecimento, dos valores nacionais, ferramentas do governo, etc. uma vez que sabe-se o poder de influência deste meio.

Multiplicar as opções de conteúdo faz com que as pessoas consumam mais conteúdo. 

O tema é bastante complexo e teríamos ainda muitas informações para postarmos como por exemplo o case da TV Cultura (SP) no uso da Multiprogramação, mas fica para um próximo momento.

Tem outras informações que complementam ou contrapõe as que aqui foram apresentadas? Fique a vontade para comentar, será um prazer aprender novas coisas.

Até quinta.

Rodrigo Angelotti

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Série – TV Digital no Brasil | Episódio 05 – Investimentos

O 5º episódio da Série TV Digital no Brasil se trata de um vídeo curto e uma discussão longa, os investimentos necessários para o processo de implantação e funcionamento da TV Digital.

Em uma visão superficial da questão, uma das primeiras coisas observadas são as questões relacionadas a transmissão do sinal digital, implicando assim em uma série de atualizações tecnológicas destes transmissores até então analógicos. Porém esta visão é insuficiente para se mensurar o tamanho do investimento que todas as emissoras, repetidoras e geradoras devem fazer dentro de um prazo já estabelecido.

A falta de um planejamento prévio faz com que agora se tenha muita dificuldade de investimentos tão altos por emissoras menores e ainda mais no caso da interiorização desta transição. Não existe um plano efetivo de como justificar tamanho investimento para realizar esta transição. Há ainda agravantes como por exemplo a citada pelo Sr. Paulo, que hoje é supervisor técnico do SBT de Sorocaba-SP. Segundo ele a emissora teve primeiro de se realocar dentro do espectro ainda para transmitir analógico, para assim posteriormente iniciar sua transmissão digital mas mantendo ainda a analógica. Realmente parece complicado e é, as emissoras estão tendo que investir também no analógico sendo que em poucos anos isso não será mais aproveitado.

Novamente repito, neste momento não vamos aprofundar a discussão em nenhum tópico apontado. Após o fim da série (apresentação dos temas) podemos voltar as principais discussões.

Um fato curioso e que evidencia parte da preocupação gerada pela questão digital e agora relacionado a estética que o HD pode proporcionar, foi o que ocorreu no SBT (e certamente ocorreu em outras emissoras) ao ingressar nas transmissões digitais. Por exemplo, o programa do Silvio Santos não foi inicialmente ao ar em alta definição pois segundo as informações houve toda uma preocupação com a estética do programa que agora seria nitidamente percebida. A preocupação foi tanta que inclusive equipes de maquiagem foram refeitas, tudo para não apenas transmitir em alta definição mas aproveitar da alta definição e melhorar aspectos.

Há ainda uma questão que vai além do que ocorre neste momento no país. É preciso olhar ao seu redor e sua frente e observar tecnologias e sistemas que estão surgindo. Do que estou falando? Fácil. No Japão hoje a preocupação já é a transmissão de vídeos em 4K e 8k, estando esta primeira já em funcionamento pleno e a segunda com testes avançados. Eis a questão! O Brasil hoje está implantando um sistema que visa a transmissão em HD (podemos considerar como o 1k). Todo o alto investimento realizado na atualização de aparelhos gira em torno desta resolução de transmissão e que, pensando em investimentos, deve se pagar e ser aproveitada. Estaria o Brasil dando um passo a frente e ficando 2 para traz. Poderíamos pensar nos passos seguintes antes de iniciar a caminhada.

Como disse no início do post, o vídeo é curto mais a discussão é muito longa e não caberia em apenas um texto.

Episódio 05 – Investimentos

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Rodrigo Angelotti

Série – TV Digital no Brasil | Episódio 04 – Vantagens da TV Digital

E neste 4º Episódio da Série TV Digital no Brasil falaremos um pouco sobre as vantagens que a TV Digital oferece a população, as emissoras e aos anunciantes.

As principais vantagens oferecidas pela TV Digital no país, utilizando-se do Padrão ISDB-TB, são até o momento vantagens tecnológicas, sendo elas:

Vou resumir o assunto nos tópicos pois todos eles terão Episódios dedicados ao tema.

Alta definição de som e imagem: Certamente um dos principais e mais atrativos benefícios aos olhos do público. Boa parte da população migra para a TV por assinatura / satélite não apenas pela variedade de canais mais sim pela qualidade apresentada na entrega da imagem. Vale lembrar que o fato da transmissão ser digital não implica que a imagem seja de alta resolução, o HD como conhecemos. A imagem pode ser transmitida com a mesma resolução a qual é feita hoje (SD), porém através de um sistema digital capaz de suprir ou recompor a sequência de informações transmitida, gerando assim uma imagem sem falhas (fantasmas) e ruídos.

Interatividade: Uma vantagem que muito se ouve falar e pouco se vê, esta é a interatividade na TV Digital. Resumidamente a questão da interatividade se dá ao fato de que junto ao sinal de áudio e vídeo uma emissora pode transmitir outras informações, como por exemplo textos, imagens ou até links para posterior acesso à internet. Isso se torna útil na medida em que esta interatividade não seja apenas uma repetição da informação audiovisual e sim um complemento, algo que agregue para a audiência. Uma análise mais profunda sobre este tema foi feita em nosso 2º episódio, que você pode ver clicando aqui.

– Mobilidade e Portabilidade: Características trabalhadas e melhoradas para o Padrão Brasileiro de TV Digital, a mobilidade e portabilidade até o momento não causaram grande (r)evolução. A mobilidade acontece quando do uso de receptores/televisores por exemplo em veículos e meios de transporte público. Por questões técnicas, que não entraremos a fundo, a TV analógica não suporta este tipo de recepção em movimento, já a TV Digital é compatível e pode ser uma boa para pessoas que passam algumas horas do dia dentro de um ônibus ou metrô e que agora podem acompanhar seu programa favorito enquanto se deslocam até o trabalho, por exemplo. Já a portabilidade é a capacidade de recepção em aparelhos celulares, tablets, etc. Estes aparelhos podem facilmente contém um receptor digital, linguagem já utilizada nos mesmos.

– Multiprogramação: Umas das melhores, senão a melhor, vantagem oferecida pela TV Digital e que no Brasil está vetada. A multiprogramação resumidamente é a capacidade de se transmitir dentro de um mesmo canal (6MHz no Brasil) até 4 programações paralelas e simultâneas. Ou seja, uma mesma emissora poderia no mesmo horário transmitir um telejornal, uma partida de futebol e uma novela. Uma grande vantagem para o usuário, que ganha em variedade, porém uma grande incógnita para a emissora, que multiplica seus gastos de produção, fragmenta sua audiência e não encontrou um modelo de negócio que possibilite esta aplicação. Estas questões e outras discutiremos mais a fundo em um episódio futuro sobre a Multiprogramação.

Estes são alguns aspectos técnicos que ganham destaque neste primeiro momento da implantação. Outras questões começam a surgir na discussão das vantagens como por exemplo novos formatos para televisão, utilização social da interatividade, modelos de negócios, etc., mas esta discussão deixaremos para um próximo momento.

Vamos ao episódio:

Próximo episódio na Quinta-feira (26/04).
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Rodrigo Angelotti

Série – TV Digital no Brasil | Episódio 03 – Padrão ISDB-TB / SBTVD

Chegamos ao terceiro episódio da Série TV Digital no Brasil com o tema Padrão ISDB-TB ou também conhecido como SBTVD.

Primeiramente vamos explicar o conceito de Padrão para após entendermos as siglas.
A ideia de padrão, no caso da TV Digital, seria uma série de definições sobre todos os processos utilizados em determinado modelo, formato ou padrão de transmissão para televisão. Vamos simplificar mostrando os padrões: Por exemplo, no Estados Unidos foram desenvolvidas uma série de estudos para se conseguir transmitir de forma digital o sinal televisivo, todos estes estudos, suas fases de criação, aplicação, o funcionamento, suas capacidades e limitações, fazem parte de um Padrão chamado ATSC (Advanced Television Systems Committee). Paralelo a criação do ATSC, surge na Europa o Padrão DVB (Digital Video Broadcasting), que dizia respeito também a transmissão do sinal de televisão digital porém com outros parâmetros e aplicabilidades frente ao ATSC.

Alguns anos após o surgimento destes 2 padrões o Japão, utilizando-os como base (e utilizando suas pesquisas iniciadas ainda da década de 70), criou um terceiro padrão chamado ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial). Este modelo por sua vez trouxe melhorias tecnológicas significativas, especialmente para a área da portabilidade e mobilidade.

Eis que, anos mais tarde, no alto da discussão sobre qual padrão o Brasil deveria adotar para sua implantação do Sistema Digital, opta-se pela utilização como base do sistema japonês ISDB-T porém melhorias seriam feitas de acordo com nossa realidade socioeconômica. Isso fez com que a área de pesquisa (Universidades e Centros de Pesquisa) e engenharia ganhassem destaque e fossem fortalecidas. Surge ai então o Padrão Brasileiro de TV Digital, também conhecido como Padrão Nipo-brasileiro, ISDB-TB (sigla japonesa acrescida da letra B) ou também SBTVD (Sistema Brasileiro de Televisão Digital).

Apenas resumindo, o Padrão Brasileiro de TV Digital foi construído à base do Padrão Japonês ISDB-T e melhorias foram feitas no sentido da interatividade e da mobilidade/portabilidade, questões tratadas com importância quando na criação do sistema. Alguns motivos para se querer o fortalecimento da interatividade seriam por exemplo a criação de uma rede nacional de ensino á distancia através da televisão, possibilidades estas vistas no nosso 2º episódio.

Dúvidas ou informações adicionais? Deixe nos comentários e melhore este conteúdo.

Na próxima terça-feira (24/03) temos um novo episódio.
Até lá.

Rodrigo Angelotti

Série – TV Digital no Brasil | Episódio 02 – Interatividade

Dando sequência a série TV Digital no Brasil, nosso 2º episódio apresenta o tema Interatividade.

A questão da Interatividade na Televisão Digital Aberta, não somente no Brasil, é tema de grande discussão e pouca definição. Vamos aos fatos. A interatividade na TVD  possui basicamente duas formas de funcionamento: a primeira podemos considerar como uma pseudo-interatividade (assim definido pelo Professor Rodrigo Gabrioti). Esta por sua vez não realiza uma interatividade no sentido da palavra, ela simplesmente traz uma informação adicional como uma notícia em forma de texto, ou uma foto de bastidor do programa, etc., e apenas exibe na tela quando solicitado pelo usuário (antigo telespectador). Esta é a interatividade que percebemos no funcionamento hoje na TVD no Brasil.

Uma segunda forma de funcionamento para a interatividade, no sentido da palavra, depende de um canal de retorno da informação gerada pelo usuário. Seria basicamente completar o caminho da mensagem que saiu da emissora, gerou uma resposta por parte de quem assiste e esta mensagem retornou a emissora. No Brasil o estudo para este funcionamento também avança com o uso do Ginga (uma espécie de “software” para TVD) e utilizando como canal de retorno a internet ( ! ), e é nesse ponto que a interatividade fica interessante.

Esta questão e algumas outras relacionadas a interatividade na TVD estão neste nosso 2º episódio.

Sem me prolongar, descrevo aqui algumas possibilidades que me parecem interessantes com a TV DIGITAL:

  • Envio de aplicações interativas por parte das emissoras e anunciantes
  • Inclusão digital e acesso a serviços do governo através da interatividade (Projeto Brasil 4D)
  • Melhora a experiência do usuário
  • Medição instantânea da resposta do público ou até mesmo da audiência.

Acima os pontos positivos, abaixo os negativos:

  • Ao acessar a interatividade você diminui o tamanho do vídeo na tela. Isso pode não ser interessante para a emissora e seus anunciantes pois tira o foco e também não tão interessante quando se está assistindo a TV acompanhado, pois sua família pode não querer interagir com a TV no capítulo final da novela, mas você sim.
  • Quando a TV Digital foi planejada a internet ainda não era uma realidade no país, porém com o crescimento da internet e popularização do acesso em plataformas móveis (3G / 4G), a interatividade que a TV oferece é imensamente limitada perante a web. Entra ai a questão da CONVERGÊNCIA entre os meios.

Caso tenha alguma dúvida sobre as informações do vídeo ou algo para complementar a informação, escreva nos comentários, será um prazer conversar com vocês.

O próximo episódio será postado na Quinta-feira (19/03) e o tema será: PADRÃO ISDB-TB / SBTVD 

Até a próxima.

Rodrigo Angelotti

Série – TV Digital no Brasil | Episódio 01 – O que é TV Digital?

Conforme prometido, o Blog NSet Comunicação inicia hoje uma web serie com o tema TV DIGITAL NO BRASIL.

Durante alguns meses entrevistamos os melhores profissionais e pesquisadores da área que falaram sobre os principais pontos relacionados a TV Digital no Brasil, dos estudos ao funcionamento, passando pelo desenvolvimento e implantação do sistema.

Para começar a série nada melhor que explicar, de maneira simples e objetiva, o que é a tal da TV Digital.
No Brasil este processo na verdade se refere a forma com o sinal televisivo é transmitido, uma vez que boa parte das emissoras já possuíam em seu processo produtivo o formato digital.
Fica ainda uma observação importante levantada pelo André Mermelstein (Diretor Converge Comunicações), de que quando nos referimos a TV Digital devemos nos atentar ao que exatamente estamos falando, pois a TV por assinatura, por exemplo, se utiliza do processo digital de transmissão a muito tempo. Com isso a utilização do nome TV Digital aberta deve ser utilizando quando nos referimos a TV aberta (massa) e a este processo de implantação pelo qual estamos passando.

Todas estas informações e muitas outras estão neste primeiro episódio.

Caso tenha alguma dúvida sobre as informações do vídeo ou algo para complementar a informação escreva nos comentários, será um prazer conversar com vocês.

O próximo Episódio vai ao ar na próxima Terça-feira (17/03/2015).

Até lá.

Rodrigo Angelotti