Áudio na TV Digital

Além da alta definição de imagem, mobilidade, robustez do sinal e interatividade, a TV Digital aqui no Brasil pode oferecer mais um atrativo para o telespectador: Opções de áudio.

Na TV analógica é possível também uma segunda opção de áudio, mas pouco utilizada atualmente.

Com a popularização dos serviços On Demand e a vasta propagação dos DTHs, as emissoras de TV aberta precisaram também se adaptar à maneira de como as pessoas consomem seus conteúdos, em diferentes plataformas, e o principal, em necessidades distintas.

No SBTVD-T (sistema brasileiro de televisão digital terrestre) há a possibilidade de enviar além do áudio 2.0 (estéreo) da programação normal, o áudio SAP (second audio program) que é utilizado normalmente para a língua natural do programa ou filme, o 5.1 da programação normal, o 5.1 do SAP e por fim, a opção de AUDIODESCRIÇÃO. Lembrando, que todos estes áudios estão agrupados dentro de um único pacote de dados, que é transmitido e o receptor do telespectador reconhece as informações e as processa. Agora vamos entender quem são esses áudios, suas opções, aplicações e funções:

Para um melhor entendimento, vamos utilizar um exemplo real, no caso a TV TEM, emissora afiliada da Rede Globo presente em 318 municípios do interior de São Paulo.

 

AUDIO 2.0 (PROGRAMAÇÃO)

O áudio 2.0 da programação normal é o mais utilizado, consiste de dois áudios distribuídos em forma de estéreo, onde quase todas as televisões atuais reproduzem. Vamos chamar estes áudios de ÁUDIO 01, OK?

2.0

AUDIO 2.O (SAP)

O áudio 2.0 SAP é a mesma forma de transmissão da programação normal, porém nele, em caso de programas ou filmes estrangeiros, são transmitidos na língua natural, sem dublagem. O áudio 2.0 SAP também é reproduzido em quase todas os televisores atuais. Vamos chamar estes áudios SAP de ÁUDIO 03.

AUDIO 5.1 (SAP)

Quando o som é reproduzido na televisão, são dois áudios utilizados, certo? No caso do áudio 5.1 SAP, ele é destinado para as recepções com distribuição interna de mais caixas de som. Deste modo, são mais 6 áudios. Vamos chamar os áudios 5.1 SAP de ÁUDIO 02. Veja o exemplo abaixo:

5.1

AUDIO 5.1 (PROGRAMAÇÃO NORMAL)

Já no áudio 5.1 da programação normal é a mesma lógica do 5.1 (SAP), apenas substituindo o áudio da língua nativa do programa ou filme pelo português.

Abrindo um adendo, quando o programa ou filme não possui a língua estrangeira, os áudios da programação normal são duplicados para os áudios SAP 5.1. Vamos chamar os áudios 5.1 português de ÁUDIO 04.

Até o momento, contabilizamos 16 canais de áudio sendo transmitidos. Mas ainda temos mais opções:

AUDIODESCRIÇÃO

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Segundo matéria da EBC de 2015,“Dados do IBGE revelam que 6,2% da população brasileira tem algum tipo de deficiência”. “Dentre os tipos de deficiência pesquisados, a visual é a mais representativa e atinge 3,6% dos brasileiros, sendo mais comum entre as pessoas com mais de 60 anos (11,5%). O grau intenso ou muito intenso da limitação impossibilita 16% dos deficientes visuais de realizarem atividades habituais como ir à escola, trabalhar e brincar”.

Vistas estas informações, o governo juntamente com as emissoras estabeleceram diretrizes de acessibilidade na televisão, entre elas, a audiodescrição.

Este ótimo site resume bem a audiodescrição:

“O recurso consiste na descrição clara e objetiva de todas as informações que compreendemos visualmente e que não estão contidas nos diálogos, como, por exemplo, expressões faciais e corporais que comuniquem algo, informações sobre o ambiente, figurinos, efeitos especiais, mudanças de tempo e espaço, além da leitura de créditos, títulos e qualquer informação escrita na tela.

A audiodescrição permite que o usuário receba a informação contida na imagem ao mesmo tempo em que esta aparece, possibilitando que a pessoa desfrute integralmente da obra, seguindo a trama e captando a subjetividade da narrativa, da mesma forma que alguém que enxerga.

As descrições acontecem nos espaços entre os diálogos e nas pausas entre as informações sonoras do filme ou espetáculo, nunca se sobrepondo ao conteúdo sonoro relevante, de forma que a informação audiodescrita se harmoniza com os sons do filme”. Audiodescrição

Sendo assim temos mais dois áudios da audiodescrição para unir aos 16 canais.

No caso do programa ou filme que seja em português, os dois canais da audiodescrição são substituídos pelo áudio 2.0 SAP (ÁUDIO 03). E mesmo que se o filme ou programa tenha a opção da língua nativa, a audiodescrição prevalece. Abaixo uma tabela exemplificando:

DISTRIBUIÇÃO AUDIO DIGITALDaniel Fernandes (TV TEM, 2016)

 

Pois bem, o áudio é apenas mais uma função do sistema brasileiro de TV Digital. Esperamos que em breve com o desligamento do analógico, a grande parte da população possa aproveitar mais estes recursos e que a experiência de consumo de televisão seja cada vez melhor.

Se você possui a recepção da TV Digital na sua casa, faça o teste. Nas configurações do seu televisor há as opções de áudio que podem ser selecionadas.

opções audio

Na próxima postagem vamos falar um pouco sobre o áudio 5.1.

Grande abraço!

Referências: http://www.ebc.com.br/noticias/2015/08/ibge-62-da-populacao-tem-algum-tipo-de-deficiencia e http://audiodescricao.com.br/ad/

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Cronograma da TV Digital sofre novo atraso

Novamente o Switch-off sofre alterações em seu cronograma e com isso somente duas cidades possivelmente terão seus sinais analógicos desligados, sendo elas Brasilia e Rio Verde – GO. Todas as demais que estavam programadas, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro, realizarão o desligamento somente em 2018 (alguém dúvida de um novo adiamento?).

A necessidade foi observada e aprovada pelo Gired, grupo que envolve várias empresas e está responsável pelo desligamento analógico. O fato começou a ser observado na cidade teste de Rio Verde-GO, onde muitas residências ainda não possuíam o receptor digital, bem como a capital paulista, onde seguindo o cronograma inicial o desligamento ocorreria no próximo mês de Maio.

Há neste momento um impasse entre o Gired e as emissoras, uma vez que existe a necessidade de acelerar este processo para liberação da faixa dos 700MHz para posterior utilização do 4G, porém as emissoras pressionam pois entendem que grande parte da população ainda não está preparada para a recepção digital da televisão, podendo assim ocasionar uma perda significativa de seu público.

Cabe neste momento além de uma análise imparcial sobre os interesses em jogo, tanto das emissoras quanto do Governo, entender qual a dificuldade que a população está encontrando nesta digitalização. Acredito ainda que muito além do custo envolvido na troca do equipamento está a ausência de informações e orientações sobre o tema. Grande parte da população  desconhece a necessidade da atualização do seu receptor para que possa continuar a assistir a televisão após a mudança. E é justamente neste ponto que as emissoras e governo podem se aliar em busca de uma melhor “conscientização em massa”, buscando com mais seriedade a implantação do Sistema de Transmissão Digital para a televisão no Brasil.

E você, o que pensa sobre este impasse? Deixe sua opinião!

Rodrigo Angelotti